sexta-feira, 11 de setembro de 2009
O espectáculo esteve anteriormente em palco com casa cheia no Auditório de Bolso do Teatro Universitário do Minho de 21 a 25 de Julho, no estaleiro cultural Velha-a-Branca no dia 26 de Julho e na Junta de Freguesia da Sé de Braga no dia 30 de Julho. Depois do sucesso entre a população bracarense, o Teatro Universitário do Minho decidiu então levar a poesia de João Negreiros ao resto do país.
Depois da Casa de Pasto Chaxoila em Vila Real, do Clube Literário do Porto, da Livraria Centésima Página em Braga e da FNAC do Bragaparque, a digressão prossegue este fim-de-semana para as cidades de Coimbra e Chaves.
A não perder!
"É um espectáculo muito diferente do que se costuma ver por aí. (...) Não é uma típica tertúlia. (...) É um espectáculo nada elitista, com um enorme sentido filosófico. (...) É fácil fazermos transferências para a vida de cada um." João Negreiros em entrevista à Antena Minho
"Os filhos dos outros portam-se bem à mesa" - Poema dito no espectáculo INSPIRAÇÃO É RESPIRAR
Os filhos dos outros portam-se bem à mesa
Se cada vez que der um gole de água pensar nisso vou ter de pensar em muitas outras coisas e isso leva-me, a pouco e pouco, a pensar em tudo. Então, em vez de ser um ser, vou ser uma fábrica de ângulos… de pontos de vista que não vão estar certos porque vão ser só mais uma unidade que faz parte das múltiplas possibilidades de análise que rodeiam a nossa vida e a vida dos que nos rodeiam.
A loucura, ou o início dela, é isso, é o momento em que começamos a pensar… a partir daí é sempre a cair de forma sossegada como quem engole chicletes na montanha russa. A loucura é a incapacidade que temos de parar de pensar.
A loucura é o som que nunca ouvimos até ouvirmos, a pessoa que não temíamos até tremermos, a corrente que levávamos no pescoço até sabermos que era de ar… e dá-nos um arrepio daqueles… ou um dos outros… se decidirmos entrar na vida de outra pessoa e analisar a infelicidade pelo ponto de vista de alguém a quem não conhecíamos as maleitas… até passarmos a conhecer. E, quando damos conta, contamos-lhes as dívidas e os trocos, sabemos-lhes os defeitos e as injúrias de alcofa, beijamos-lhes os filhos como nossos, o sangue como morcegos, a sina como ciganos e nós somos eles… e todos.
Mas, quando nos aborrecemos, voltamos para casa… para deixar de sofrer muito com a vida dos outros e passamos a sofrer um bocadinho com os nossos. É que os nossos filhos são mais feios… a nossa mulher é mais gorda… os nossos pais estão menos mortos… os problemas dos outros, dos outros que fazem parte da raça sem sermos nós, são nobres, os outros são heróicos, os outros passam na televisão, os outros choram sem soltar ranho, morrem sem borrar as calças… e as dívidas de jogo são porque tiveram um descuido, uma hesitação, uma fraqueza… nós não…. nós somos descuidados, hesitantes, fracos e nós não gostamos nem um pouco de nós porque queremos passar as tardes em casa do resto da raça a ajudar a raça a sentir-se melhor com ela própria. Nós queremos passar as tardes a jogar às cartas em casa do resto da raça humana e elogiar-lhes as cortinas… e os dentinhos de leite dos rebentos… enquanto os nossos filhos crescem órfãos, os nossos irmãos não nos conhecem, os nossos pais morrem de solidão nos asilos, os nossos cães morrem à fome no beco do caminho para as férias… e a nossa empregada não recebe subsídio de Natal… e o nosso peixe não tem quem lhe mude a água… e a nossa roupa fede porque não quisemos tomar banho. E por isso tudo fedemos a falhanço e levamos eternamente o rosto da derrota dos que se deixaram ficar… dos que não gostam de si… nem do que sai de si…
E que é feito de si?... está com tão bom aspecto… e a sua senhora… está boazinha?… há que tempos que não os via…
in "a verdade dói e pode estar errada", de João Negreiros
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
INSPIRAÇÃO É RESPIRAR

“(…) com gente que anuncia talento como esta, somos todos cúmplices. Ou então já estamos mortos.” Miguel Carvalho, jornalista da Visão
A poesia de João Negreiros na voz do elenco do Teatro Universitário do Minho
Espectáculo e percurso antológico da poesia de João Negreiros que tem como objectivo traçar uma rota que vai desde as suas tendências Neo-Surrealistas até à lírica mais conceptual e sonora.A interpretação dos actores visa ser oral, naturalista e inovadora, tornando a literatura mais óbvia, mais universal e mais acessível.
É um espectáculo de emoções extremas e dos sentimentos mais íntimos e guarda os momentos mais carinhosos que só se partilham com os amantes, os amigos e o público.
Próximos espectáculos:
- Vila Real, Casa de Pasto Chaxoila, 4 de Setembro às 21h30
- Porto, Clube Literário do Porto, 6 de Setembro às 21h30
- Braga, Livraria Centésima Página, 8 de Setembro às 21h30
- Braga, FNAC do Bragaparque, 10 de Setembro às 21h30
- Coimbra, FNAC Fórum, 12 de Setembro às 17h00
- Porto, FNAC Norteshopping, 16 de Setembro às 21h30
- Vila Real, Associação Espontânea, 19 de Setembro às 21h30
- Lisboa, FNAC Chiado, 20 de Setembro às 17h00
- Guimarães, Livraria do Centro Cultural São Mamede, 21 de Setembro às 21h30
- Porto, FNAC Santa Catarina, 22 de Setembro às 18h30
Teatro Universitário do Minho
E-mail: teatrum@gmail.com
Sítio oficial: http://www.blogdotum.blogspot.
Telemóvel: 965530263